Prof. Dr. Gilberto Noronha (INHIS-UFU)
A memória tem interessado ao historiador sob, pelo menos, dois pontos de vista distintos: como fonte e como fenômeno histórico. Desde a Escola Metódica muito se tem feito na identificação, catalogação, análise e crítica da memória como fonte para a história. Do tratamento sistemático e crítico das fontes escritas, desenvolvido no século XIX, até os recentes avanços no registro e utilização de fontes orais é possível perceber o aperfeiçoamento no tratamento da memória como fonte histórica.
Entretanto, não se pode alimentar tanto entusiasmo quanto às reflexões e às práticas de pesquisa em história que problematizam o fenômeno da memória. A despeito da longa tradição de pensamento sobre a memória, muitas questões teórico-metodológicas ainda desafiam os historiadores, sobretudo em relação à pretensão de objetividade da história frente à subjetividade característica das narrativas da memória. Poderíamos enunciá-las sumariamente recorrendo a três questões que interessam diretamente a este Grupo de Trabalho: a) A memória dá acesso a qual “realidade” histórica? b) Quais são os mecanismos de funcionamento da memória, em sua dimensão individual e ‘coletiva’? c) Quais são as funções sociais do lembrar?
O primeiro questionamento abre possibilidade para acolhimento de trabalhos que discutam questões epistemológicas relacionadas às tênues relações entre memória e história e à própria validade do conhecimento histórico. O segundo nos remete às discussões metodológicas que colocam à prova as fronteiras da própria disciplina história e, por fim, o último questionamento se abre às discussões políticas do fenômeno social do lembrar para cuja reflexão se faz necessário indagar: quem, como, onde, por que e para que se lembra/se esquece de determinados conteúdos e temas?
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